Estudante com paralisia participa de 1º dia de atividade na UFSCar: ‘Animado, emocionado e ansioso’


Estudante Guilherme Isaque de Sousa Ferreira, de 18 anos, vai cursar ciências sociais em São Carlos (SP). Pais deixaram tudo na capital paulista para acompanhar e apoiar o filho. Estudante com paralisia se emociona em 1º dia de atividades na UFSCar
Uma mistura de emoções tomou conta do estudante Guilherme Isaque de Sousa Ferreira, de 18 anos, no primeiro dia de atividades da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) na segunda-feira (18). “Eu tô muito animado, emocionado e ansioso”, disse ao g1.
O jovem, que tem paralisia cerebral e foi aprovado no curso de ciências sociais, participou da programação especial da Calourada 2025, que dá boas-vindas e acolhe os estudantes, marcando o início do período letivo.
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Acompanhados dos pais, que deixaram a capital paulista e mudaram para São Carlos no sábado (22), Guilherme visitou a biblioteca do campus, já que é apaixonado por literatura.
Pelo caminho, interagiu com outros estudantes e também encontrou pessoas que já o conheciam por meio do vídeo que viralizou em fevereiro deste com a comemoração do jovem ao saber da aprovação no vestibular.
“Eu não estou acreditando que estou aqui, parece um sonho. Mas um sonho realizado e estou muito feliz. Espero aprender muitas coisas e ser um homem melhor. É ótimo poder estar aqui com os meus pais porque eles são tudo na minha vida e sem eles eu não conseguiria chegar até aqui”, disse o jovem.
Guilherme Isaque de Sousa Ferreira com os pais na UFSCar em São Carlos
Fabio Rodrigues/g1
Estudo e dias cansativos
Guilherme foi aprovado em segundo lugar por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Ele disse que escolheu o curso por ser envolvido na questão das lutas sociais e, principalmente, pelos direitos das pessoas com deficiência. Conquistar a vaga, contudo, não foi nada fácil.
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Aprovado na UFSCar em São Carlos, Guilherme Isaque de Sousa Ferreira sempre gostou de estudar, segundo os pais
Fabio Rodrigues/g1
Segundo o jovem, foram dias bem cansativos até a aprovação, com muita leitura de resumos e horas de videoaulas. “Tive crise de ansiedade, às vezes pensava em desistir porque eu me cobrava muito. Foi muito desafiador para mim”, relembrou.
A mãe dele, Zilmar Lima de Sousa Ferreira, de 47 anos, disse que o filho sempre gostou de aprender. “Isso é natural, ele adora ficar trancado no quarto estudando por horas. Tenho muito orgulho dele”, contou.
A dona de casa tem outro filho de 27 anos formado em biomedicina, uma inspiração para Guilherme. Saber que o caçula tem agora a oportunidade de também frequentar a universidade a deixa ainda mais feliz.
Guilherme Isaque de Sousa Ferreira interage com estudantes no primeiro dia de atividades na UFSCar em São Carlos
Fabio Rodrigues/g1
“Meu coração está cheio de alegria. Chegamos a uma nova etapa. Estou feliz porque é um sonho do meu filho. Desafio ele vai ter pela frente, mas desistir jamais. É estudar que um dia chega a vitória de cada um chega”, diz Zilmar.
O pai, Joel Dias Ferreira, de 53 anos, sempre apoio e incentivou os filhos a estudarem. “Eu falo: tudo o que você quer nessa vida, você consegue. Guilherme está hoje aqui por mérito dele”.
Estudante com paralisia se emociona no 1º dia de atividades na UFSCar
Nova vida em São Carlos
Para acompanhar Guilherme nos próximos quatro anos, a família tomou uma grande decisão: mudar para São Carlos. Joel, que trabalhava há 15 anos como estoquista em uma loja de calçados, fez um acordo com a patroa para que pudesse receber seus direitos.
Guilherme Isaque de Sousa Ferreira com os pais na nova casa em São Carlos
Fabio Rodrigues/g1
Com o dinheiro, a família conseguiu adiantar os depósitos do aluguel de uma casa no bairro Maria Stella Fagá, que vai custar R$ 1 mil por mês.
“A gente sabe das limitações dele, então resolvemos largar tudo em São Paulo. Foi muito difícil, mas falei para a minha esposa que agora chegou o momento de tomar uma decisão: a gente vai apoiar ele e mudar”, disse.
Os pais esperam encontrar um emprego para se manter na cidade. Zilmar disse que trabalha como babá, diarista e cozinheira. Segundo ela, foi assim que conseguiu ajudar a formar o outro filho de 27 anos em biomedicina. Ela vendia comida, frutas e tapioca na Feira da Madrugada do Brás, na região central de São Paulo.
Luta para viver
Família reunida na UFSCar em São Carlos no primeiro dia de atividades no campus
Fabio Rodrigues/g1
A paralisia cerebral de Guilherme aconteceu em decorrência da demora no parto e negligência do médico, diz Zilmar.
O bebê nasceu e entrou em coma. Tão logo saiu ficou entubado. Em meio a problemas de saúde de convulsões, a mãe disse que vivia mais no hospital do que em casa.
Ao longo do desenvolvimento, Guilherme passou por atendimento especializado na AACD, na unidade da Mooca, na Zona Leste, durante 12 anos.
“Eu sabia que vinha um desafio muito grande, mas tive muito apoio da minha esposa. Na AACD tem profissionais muito bons que nos incentivava, forneciam informações. Sempre fomos atrás, buscando melhorias para o Isaque. A gente ensina muito para ele, mas temos aprendido muito mais com ele.
A AACD é uma organização sem fins lucrativos focada em garantir assistência médico-terapêutica de excelência em Ortopedia e Reabilitação. A Instituição atende pessoas de todas as idades, recebendo pacientes via Sistema Único de Saúde (SUS), planos de saúde e particular.
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Jovem com paralisia cerebral é aprovado em 2º lugar na UFSCar
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