
Larvas recepcionaram agentes da Vigilância Sanitária e do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) em uma fábrica de farinha de peixe em Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina. A última visita no bairro Cordeiros ocorreu nesta sexta-feira (29).
Um vídeo feito pelos próprios agentes mostra o chão coberto de larvas que saem de uma caçamba, onde estariam peixes de diversas espécies. Nas imagens, profissionais da empresa lavam o pátio.

Larvas cobrem o chão de fábrica de farinha de peixe em Itajaí – Foto: Reprodução/ND
A vistoria foi motivada após reclamações de moradores do bairro sobre o mau cheiro que vinha da fábrica. De acordo com Silvio Schaadt, diretor da Vigilância Sanitária, a empresa apresentou um relatório indicando que removeram todo o pescado acumulado.
Ainda conforme a empresa, o pátio foi limpo e nenhuma caçamba com pescado podre permanece no local e já está destinada para aterro ou para Biguaçu, na Grande Florianópolis.
Para o cheiro forte e as larvas, a justificativa foi uma supersafra de pescado associada a problemas em Biguaçu, o mesmo que ocorreu em 2023, e já tinha ocorrido em 2012, 2017 e 2019.
“Talvez ainda tenha odor, pois o pescado que já estava na Tolva possui muito camarão junto e relataram que o camarão piora a questão. Eles afirmaram que vão destinar o camarão para a planta de Biguaçu”, diz Schaadt.
Veja larvas na fábrica de farinha de peixe em Itajaí – Vídeo: Reprodução/ND
O diretor da Vigilância Sanitária de Itajaí explicou ainda que a empresa firmou acordo com três aterros para receber os pescados, para não ficar parado apodrecendo no pátio.
Após larvas, fábrica de farinha de peixe em Itajaí pode ser interditada
A Vigilância Sanitária emitiu uma notificação e coletou o recibo. “Se a partir de quarta-feira (2) estiver com odor, vou autuar por poluição (onde a multa é muito pesada) e interditar. Deixei isso muito claro para eles, o gerente estava junto e é testemunha”, diz Schaadt.
O valor da multa pode chegar a R$ 450 mil, e uma nova vistoria será feita ao longo da semana, para confirmar a limpeza. O relatório final será concluído até sexta-feira (11), acompanhado de auto de infração.
“Registrar o auto de infração dependerá das condições durante a semana, caso as reclamações parem, e eu não constate mais odor, vou autuar pelo descumprimento de condicionantes apenas, o que dá um valor menor, caso eles não resolvam o odor até terça-feira, iriei autuar por poluição, acompanhado de interdição”, reitera Schaadt.
Entretanto, o diretor da Vigilância Sanitária explica que o grande problema da interdição é que atualmente as indústrias da região que mandam os rejeitos para a fábrica de farinha de peixe, geram cerca de 100 toneladas de rejeitos por dia.
São vísceras, cabeças e restos de peixe, que empresas da região produzem, chegando a 100 toneladas todo dia. “Se interditamos por dois ou três dias, são 300 toneladas e nenhum aterro sanitário da região tem suporte para tratar esse volume diariamente”, explica.
“A interdição cabe neste caso, mas o problema é interditar e gerar todo esse rejeito, que não tem para onde ir”, conclui Silvio Schaadt, diretor da Vigilância Sanitária de Itajaí.
Como resolver o problema do fedor da fábrica de farinha de peixe em Itajaí
Para resolver de fato o problema, Schaadt explica que há muito peixe para pouca capacidade de destinação de resíduos, sobretudo no pico da safra. O ideal seria articular com a recicladora, indústrias pesqueiras e município a mudança da reciclagem para uma área menos habitada.
Esta medida deveria ser acompanhada de melhoria no tratamento de gases e, se possível, estrutura de resfriamento ou congelamento dos resíduos, para quando houver picos de safra, como estamos enfrentando agora.
O que diz fábrica de farinha de peixe
Por meio de nota, a empresa reafirmou o compromisso com a comunidade e destacou que não tem poupado esforços nem investimentos para garantir uma operação cada vez mais sustentável e minimizar qualquer impacto ao entorno da fábrica.
“Nosso objetivo é proporcionar mais conforto e qualidade de vida à população local, e, para isso, estamos implementando uma série de melhorias operacionais e estruturais”, traz a nota.
Dentre as ações já realizadas ou em andamento, eles destacam:
- Reforço na rotina diária de limpeza do pátio industrial, com foco na remoção imediata de resíduos orgânicos que possam contribuir para a emissão de odores.
- Reforma e reestruturação do pátio, evitando o acúmulo de materiais e garantindo um escoamento e limpeza mais eficientes.
- Acompanhamento logístico rigoroso e alinhamento com fornecedores, assegurando que a matéria-prima seja recebida em condições adequadas e sem acúmulos desnecessários.
- Rotina intensificada de limpeza interna e externa, abrangendo plataformas, setores produtivos e áreas de armazenamento.
- Reparo e vedação de tubulações, eliminando pontos críticos de emissão de gases fugitivos.
- Aquisição de contêineres refrigerados, garantindo a preservação da matéria-prima e reduzindo significativamente a emissão de odores no processo de armazenagem temporária.
- Manutenção e limpeza contínua das tubulações de gases, assegurando a eficiência do sistema de exaustão e controle ambiental.
- Instalação de máquinas de backup/sobressalentes, evitando paradas de produção e perdas de eficiência.
Por fim, a empresa reitera que segue comprometida com a transparência e o diálogo aberto com a comunidade, buscando sempre aprimorar as práticas e manter um ambiente saudável para todos. “Seguiremos trabalhando para garantir que nossas operações sejam cada vez mais sustentáveis e alinhadas às melhores práticas ambientais”, finaliza.