
Para marcar e conscientizar a população de Santa Catarina sobre o Abril Laranja, a Diretoria de Bem-Estar Animal do Semae (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde) se prepara para intensificar ações de proteção aos animais e combater a crueldade animal.

Diretoria de Bem-Estar Animal Estadual promove campanhas para combater a crueldade animal durante o Abril Laranja – Foto: SECOM/Reprodução/ND
O mês de abril marca uma importante mobilização em prol da causa animal e promove a campanha dedicada à prevenção da crueldade animal.
Durante esse período, o Semae atuará com foco especial no combate à farra do boi, venda e compra irresponsável de coelhos e na realização de um grande evento no fim do mês para debater políticas públicas.
O objetivo é reduzir números alarmantes registrados entre 2019 e abril de 2024, período em que foram abertos 4.274 inquéritos para investigar casos de maus-tratos.
Farra do boi continua apesar de proibida
Segundo especialistas, um dos maiores desafios é combater práticas tradicionais que perpetuam o sofrimento animal, como a farra do boi. Apesar de proibida desde 1997, a prática ainda ocorre clandestinamente.
Esse “evento” ainda é realizado em diversas comunidades do litoral catarinense. Durante a farra do boi, o animal é solto em um local e perseguido, agredido com pedaços de madeira.
O objetivo é exaurir o animal até que ele não consiga mais se levantar. No fim, já machucado, o boi é abandonado e, em muitos casos, acaba morrendo devido aos ferimentos.
De acordo com registros do Arquivo Histórico de Santa Catarina, a farra do boi teria sido trazida ao Brasil por imigrantes açorianos entre 1748 e 1756, os mesmos que chegaram ao litoral catarinense.

A farra do boi foi proibida em 1997, após denúncias sobre crueldade animal – Foto: SECOM/Reprodução/ND
Durante o Abril Laranja, a Diretoria de Bem-Estar Animal reforça campanhas de conscientização e incentiva a população a denunciar casos de crueldade animal aos órgãos competentes. O objetivo é deixar claro que a prática não se trata de uma manifestação cultural legítima, mas sim de um crime que causa extremo sofrimento aos animais.
Além disso, quem estiver envolvimento neste tipo de ação, terá de pagar uma multa de até R$ 10 mil, seja os participantes, público ou quem disponibilizar o espaço, ou o animal para a prática.
Outro fator de alerta da campanha é o impacto da Páscoa no abandono de coelhos. Anualmente, coelhos são comprados como forma de presente após o feriado da Páscoa. Entretanto, muito desses animais acabam sendo abandonados após certo tempo.
A Diretoria reforça que o abandono de animais é crime e alerta sobre a necessidade de uma posse responsável para evitar esse tipo de situação.
Consultoria e fórum de Prevenção da Crueldade Animal
A partir de abril, a Diretoria de Bem-Estar Animal Estadual passará a oferecer consultoria aos municípios catarinenses que desejam implementar suas próprias diretorias de Bem-Estar Animal.
Além disso, a iniciativa auxiliará no planejamento do controle populacional de animais domésticos, levando em conta aspectos políticos, econômicos, ambientais, culturais e sociais, tanto em nível estadual quanto municipal.
O objetivo da campanha é permitir que os municípios apliquem uma política pública direcionada pelo Estado, contando com conhecimento técnico, informações, estrutura e investimentos, sempre respeitando as particularidades de cada cidade.
Entre os municípios que já demonstraram interesse aparecem Biguaçu, Papanduva, Concórdia, Tubarão, Balneário Camboriú, Gravatal, Governador Celso Ramos, Três Barras e Petrolândia.
Ao final do mês, no dia 30 de abril, será realizado um evento no auditório da GRANFPOLIS, em Florianópolis, para debater estratégias de combate a crueldade animal e promover a guarda responsável de animais.
O encontro reunirá gestores municipais de bem-estar animal, profissionais da saúde, assistência social e demais interessados no tema.