
Mesmo após troca na comunicação, aprovação do presidente continua em queda livre. Lula no Planalto em 12 de março de 2025
Evaristo Sa/AFP
A pesquisa Quaest desta quarta-feira (2) reflete a falta de conexão do governo Lula (PT) com a sociedade.
Os dados mostram o presidente perdendo apoio em suas principais bases eleitorais:
As mulheres, fundamentais na eleição de 2022, agora o reprovam mais que aprovam
Entre os mais pobres (renda de até 2 salários mínimos), pardos e eleitores do Nordeste, a aprovação passou a empatar com a reprovação.
Mesmo entre o eleitores de Lula em 2022, houve recuo na aprovação e avanço na desaprovação.
Esses números aparecem mesmo depois de o governo trocar a comunicação – saiu Paulo Pimenta (PT), entrou Sidônio Palmeira, o marqueteiro da eleição – e apostar em uma maior exposição do presidente como trunfo para reverter a queda de popularidade. (leia mais)
Não funcionou. A Quaest mostra que metade dos eleitores não acha que Lula está aparecendo mais. Metade também acha que as aparições dele pioram em vez de melhorar a percepção sobre ele.
Quaest: desaprovação de Lula cresce, chega a 56% e é a pior desde o início do mandato
Um fator que pode ter contribuído são as falas de Lula sobre mulheres, como dizer que colocou uma mulher bonita, Gleisi Hoffmann, para comandar a articulação com o Congresso.
E, durante a fritura pública da então ministra da Saúde, Nísia Trindade, dizer que o governo precisava de mais agressividade (Nísia se queixou publicamente de ter sido vítima de uma “campanha misógina inaceitável” à frente do ministério).
Pesam ainda os fatos de que o governo não tem apresentado políticas voltadas à família e às mulheres, e que a mulher mais forte do Planalto seja Janja, que enfrenta forte rejeição.
Outro fator é, como uma fonte do Planalto afirmou ao blog nesta manhã, é que o governo – e o PT ainda pensa os trabalhadores como nos anos 1980, sem apresentar políticas concretas para, por exemplo, quem trabalha por meio de aplicativos.
Além disso, aponta a pesquisa, a percepção da economia está em queda livre. 88% dos entrevistados acham que os alimentos estão mais caros; 70%, que o combustível subiu; 53%, que está mais difícil de conseguir emprego; 81%, que o poder de compra diminuiu.
E, nessa área, medidas anunciadas pelo governo têm tido efeito limitado.
A população está dividida sobre se a a isenção de impostos para a importação de alimentos vai ou não reduzir o preço dos alimentos (48% acham que sim, 45% acham que não – um empate técnico); e metade acha que a ampliação da isenção do imposto de renda vai trazer uma melhora pequena para as finanças (31% acham que vai trazer uma melhora grande).
Para o presidente do PP, Ciro Nogueira, Lula não vai ter tempo hábil para reverter o cenário negativo antes de 2026, abrindo caminho para uma vitória da oposição.
Nogueira disse ao blog que acredita que exista espaço no Brasil hoje para um candidato da direita disputar eleição e, uma vez eleito, pode renunciar depois em nome de Bolsonaro indultado. Ele cita o caso da renúncia do presidente da Argentina, Héctor Cámpora, em 73. Um dia depois de sua renúncia, Juan Domingo Perón lançou implicitamente a sua candidatura para disputar o cargo.
Quaest: 56% desaprovam governo Lula, e 41% aprovam