‘Vespas pré-históricas’ utilizavam armadilha semelhante a plantas carnívoras para capturar presas


Pesquisadores descobriram nova espécie de inseto parasitoide com uma estrutura abdominal capaz de imobilizar temporariamente seus alvos. Nova espécie de vespa descoberta pelos pesquisadores foi batizada de Sirenobethylus charybdis.
BMC Biology
Uma vespa com um mecanismo de captura semelhante ao de uma planta carnívora. Pode parecer invenção de ficção científica, mas foi o que um grupo de paleontólogos descobriu em um estudo publicado nesta quinta-feira (27) na revista científica “BMC Biology”.
Ao analisar fósseis preservadas em âmbar (um tipo de resina fóssil), os pesquisadores encontraram uma nova espécie, batizada de Sirenobethylus charybdis.
“Descobrimos que a Sirenobethylus é uma linhagem isolada, que aparentemente não deixou descendentes vivos hoje e que também não está intimamente relacionada a nenhuma outra família específica”, detalha Lars Vilhelmsen, um dos autores principais do estudo.
A possível nova família extinta de vespas parasitoides teria vivido há quase 99 milhões de anos, no Período Cretáceo, e contaria com uma estrutura abdominal que provavelmente serviu para imobilizar temporariamente as presas. Veja mais abaixo os detalhes.
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Vespas parasitoides e plantas carnívoras: quais as semelhanças?
Segundo os pesquisadores, a morfologia da S. charybdis indica que essas vespas eram parasitoides, isto é, insetos cujas larvas vivem como parasitas e eventualmente matam seus hospedeiros.
Analisando os fósseis, eles observaram que a espécie apresenta um aparato abdominal composto por três abas, sendo que a aba inferior forma um tipo de pá, com 12 cerdas semelhantes a pelos.
De acordo com Vilhelmsen, essa estrutura se aproxima do mecanismo utilizado por plantas carnívoras. (veja comparação abaixo)
➡️O professor explica que:
Há semelhanças na forma geral de abas estruturas.
Ambos são mecanismos móveis que, provavelmente, eram destinados a capturar insetos desavisados por meio de um envolvimento do que parecem ser pelos sensoriais.
No caso da planta, esses pelos estão na superfície interna da folha; na vespa, estão ao longo da borda inferior do abdômen.
Estrutura no abdômen da vespa (à esquerda) e planta carnívora dionaea (à direita).
Reprodução
“No entanto, enquanto a planta mata sua presa para complementar sua dieta, a vespa provavelmente imobilizava seu hospedeiro apenas temporariamente para depositar seus ovos”, compara.
Capacidade de adaptação
Os pesquisadores acreditam que a vespa provavelmente não conseguia perseguir suas presas por longas distâncias e que, por isso, devia aguardar com esse aparato no abdômen aberto até que um possível hospedeiro ativasse sua resposta de captura.
Vilhelmsen, que também é professor associado da Universidade de Copenhague e curador do Museu de História Natural da universidade, explica que, apesar de a forma descoberta não ser mais observada atualmente, ela mostra uma imensa capacidade de adaptação dos insetos ao longo do tempo.
“À medida que conhecemos melhor a fauna de insetos do Cretáceo, fica cada vez mais claro que houve uma grande renovação nas linhagens nos últimos 100 milhões de anos […] . O Cretáceo era um ambiente completamente diferente”, analisa.
Ele pontua que essa renovação pode estar relacionada à diversificação de plantas com flores, ocorrida nos últimos 150 milhões de anos. “Foi um evento que teve amplas repercussões nos ecossistemas terrestres, incluindo para as vespas parasitoides”, comenta.
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