
O Globo Repórter desta sexta-feira (21) mostrou como produtores rurais têm adotado tecnologia para reduzir os impactos das mudanças climáticas na produção agrícola. ‘Piscinão’ no campo: reservatório com 440 milhões de litros garante safra recorde em meio à seca
O Globo Repórter desta sexta-feira (21) mostrou como produtores rurais têm adotado tecnologia para reduzir os impactos das mudanças climáticas na produção agrícola.
O Willian Matté se formou em agronomia e hoje ajuda o pai que é agricultor a fazer essas correções mais minuciosas do solo e buscar mais informação. A fazenda da família dele fica perto de Brasília, onde a seca de 2024 bateu recorde: 164 dias sem chuva – a maior marca desde o início das medições oficiais.
“A tecnologia é fundamental. Sem isso, não conseguimos conduzir o sistema de irrigação. É a tecnologia trabalhando a favor da sustentabilidade no agronegócio”, explica Willian, engenheiro agrônomo.
Para enfrentar a seca, a solução foi investir na captação e armazenamento de água. Willian conseguiu autorização para construir um grande reservatório, com 440 milhões de litros e cerca de 10 metros de lâmina de profundidade.
“Isso é um reservatório pulmão, construído para armazenar água, para que a gente possa utilizar durante o período de seca, que é quando fazemos a irrigação das culturas. Sem água, sem vida, sem produção” detalha.
Fazenda em Goiás tem reservatório com 440 milhões de litros e cerca de 10 metros de lâmina de profundidade.
Reprodução/TV Globo
Com essa reserva, a família conseguiu uma safra histórica de feijão, produzindo seis vezes mais que a média nacional.
“Você planta mais de uma safra por ano, porque planta na época de chuva e planta na época de seca, irrigando com essa água armazenada aqui”, diz Willian.
Com essa reserva, a família conseguiu uma safra histórica de feijão, produzindo seis vezes mais que a média nacional
Reprodução/TV Globo
Fábrica de bactérias?
Outra solução encontrada foi usar micro-organismos para reduzir a aplicação de fertilizantes e agrotóxicos. Para isso, o produtor montou um laboratório de bioinsumos na fazenda, onde produz micro-organismos capazes de transformar esterco em adubo natural.
“Assim, conseguimos reduzir a utilização de defensivos químicos, consequentemente produzindo alimentos mais saudáveis e diminuindo o custo de produção também”, afirma.
Produtor montou um laboratório de bioinsumos na fazenda
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Produção integrada
Para aumentar a sustentabilidade do campo, a fazenda adota ainda a rotação de culturas. Parte do ano, planta-se soja e milho; em outra, o terreno vira pastagem para os animais. É a chamada integração lavoura-pecuária.
“Aqui, ele vai comer um alimento de melhor qualidade. Por quê? Porque as áreas de agricultura têm muita fertilidade. Então, elas produzem plantas de muita qualidade, e aí os animais se alimentam dessas plantas de maior qualidade”, explica Willian.
Com técnicas modernas, a produtividade da pecuária também cresceu.
“Então, uma área que produziria um animal, hoje estamos com dois, três, quatro, cinco animais na mesma área. Assim, conseguimos otimizar melhor essa área e a produção vem mais rápida”, diz Gustavo engenheiro agrônomo, que também trabalha na propriedade.
Além disso, é observado a melhora na qualidade da carne.
“Com certeza. Os animais entregam, digamos, uma carne de maior qualidade quando bem alimentados. Isso faz toda a diferença”.
Para aumentar a sustentabilidade do campo, a fazenda adota ainda a rotação de culturas
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Veja a íntegra do programa abaixo: