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Celebração ocorreu nesta sexta-feira (28) na Catedral Histórica de São José, em Macapá. Paulo Bahia é um dos sobreviventes da tragédia que aconteceu em 29 de fevereiro de 2020. Anna Karoline 3 após naufrágio que matou 40 no Rio Amazonas
GEA/Divulgação
Após cinco anos do naufrágio do navio Anna Karoline 3, as lembranças permanecem vivas na memória de quem sobreviveu à tragédia. Nesta sexta-feira (28) familiares de vítimas participaram de uma missa em memória aos que morreram em 29 de fevereiro de 2020.
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O naufrágio da embarcação Anna Karoline 3 deixou 40 pessoas mortas, 2 desaparecidos e 51 sobreviventes.
A celebração ocorreu nesta sexta-feira (28) na Catedral Histórica de São José, no Centro de Macapá. O momento relembra o acidente e reaviva o sentimento de justiça.
Missa na Catedral Histórica de São José de Macapá, com parentes de vítimas do naufrágio do navio Anna Karoline 3, no Amapá
João Pantoja/Rede Amazônica
Um dos sobreviventes que participaram da missa foi o amapaense Paulo Bahia, que descreveu o sentimento cinco anos após o naufrágio.
“Então, o sentimento é de impunidade por não ter justiça para quem cometeu esse crime e culminou com essa tragédia. Enquanto isso não temos respostas da justiça contra os devidos culpados”, disse Paulo Bahia.
Em cinco anos a vida ‘caminhou’ e traçou novos rumos, mas a dor do luto permaneceu. Paulo viajava com a família quando viu em sua frente um adeus tão repentino e doloroso. Próximo à data do naufrágio, as lembranças voltam com força.
“Essa data representa as lembranças daqueles que se foram nessa tragédia. O dia de hoje também é uma forma de pressionar a justiça na esfera Federal e Estadual”, acrescentou o sobrevivente.
Quando aconteceu o acidente, Paulo Bahia era motorista de caminhão. Os rios da Amazônia eram usados pelo trabalhador como ‘ruas’. Na época, apesar do trauma, Bahia com outras pessoas se mobilizaram para ajudar no resgate e reconhecimento dos corpos.
Bahia e os familiares iam para o município de Almeirim (PA) festejar a renovação de votos e aniversário de casamento. Na oportunidade, eles criaram um grupo para compartilhar as fotos da viagem.
Paulo Bahia (de camisa azul ao fundo) e a esposa foram os únicos sobreviventes da família
Paulo Bahia/Arquivo Pessoal
Em entrevista à Rede Amazônica, dois anos após o acontecido, o homem relembrou os momentos que antecederam o naufrágio.
“É uma coisa surreal, que ninguém espera o que vai acontecer de uma viagem. No momento, todos pensavam que era um roubo de ‘ratos-d’água’, mas quando a gente viu o navio tombar, apagou tudo”, comentou Bahia.
Sobre o acidente
Barco de passageiros afunda no Amapá e deixa três mortos
A viagem partiu de Santana, a 17 quilômetros de Macapá, em direção a Santarém, no Sudoeste do Pará. A tragédia aconteceu no meio do caminho, entre os rios Amazonas e Jari. A viagem entre as duas cidades dura, em média, 36 horas.
A dificuldade de acesso e comunicação no local, prejudicaram a comunicação com a Capitania dos Portos do Amapá. De acordo com os registros da época, o primeiro chamado por socorro foi feito pelo comandante Paulo Márcio, às 5h, mas a primeira equipe de resgate só teria chegado ao local por volta das 14h do dia 29.
Navio Anna Karoline 3 após ser içado
GTA/Divulgação
Segundo as investigações, o navio afundou após uma série de erros. À época, a Polícia Civil indicou 6 pessoas. Já em 2021, após o caso ser encaminhado para a esfera federal, a Polícia Federal (PF) decidiu pelo indiciamento de 5 investigados, por homicídio e ainda por crime de perigo e prevaricação.
Mais de um ano depois do naufrágio, 5 foram indiciados pela PF
Caso na justiça
Confira os principais pontos do que a Polícia Civil apurou na época e elencou no inquérito:
O navio estava com 70% de sobrecarga: a embarcação deveria carregar, no máximo, 100 toneladas, mas no dia do naufrágio, transportava cerca de 175 toneladas;
Disco de plimsoll, que é uma marcação de segurança pintada no casco, que indica o limite de carga do navio, estava adulterado;
A maioria da carga estava no convés, o que foi determinante para o naufrágio;
Foi descartada a hipótese de superlotação;
A rota feita pela embarcação não era autorizada pela Capitania dos Portos;
O despachante do porto emitiu documento com informações falsas sobre a carga;
Militares da Marinha não passaram mais de 5 minutos fiscalizando o navio;
A embarcação fez um abastecimento irregular no meio da rota;
As condições climáticas não eram favoráveis para tal manobra;
Quem conduzia o barco no momento do abastecimento era o tripulante indiciado e não o comandante.
Dois meses após o acidente, o navio foi periciado e ficou à disposição da empresa proprietária (Erlonav Transportes). Ele ficou atracado em um Porto de uma região conhecida como Prainha, em Santarém.
A presença da embarcação atraiu dezenas de pessoas para ver de perto a embarcação. A estrutura estava bastante avariada, com ferro retorcido, forro arrebentado, coletes e colchões cobertos de barro, roupas espalhadas pelo convés.
Cenário é de guerra no interior do navio Anna Karoline III
Maurício Rebouças/TV Tapajós
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