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A recente descoberta de formações arenosas que indicam a existência de antigas praias em Marte pelo rover chinês Zhurong – veículo de exploração espacial -, reacende a esperança e o debate sobre a possibilidade de ter existido vida em Marte, transformando a forma como a comunidade científica vê o planeta vermelho.
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Ciência descobre indícios de água e reacende discussões sobre vida em Marte – Foto: Robert Citron/Reuters/ND
Imagine Marte com oceanos azuis, praias e, quem sabe, até mesmo vida. Essa cena ganha contornos mais nítidos com a mais recente descoberta da China. Utilizando um radar de penetração no solo, o astromóvel revelou a existência de depósitos de material arenoso, a uma profundidade de 10 a 35 metros, cujas características apontam para a presença de antigas praias marcianas, um cenário que poderia ter abrigado vida em Marte.
A revelação reacende a chama da esperança na busca por vida em Marte e nos faz questionar: será que Marte já foi um planeta habitável? A descoberta é um passo importante para entendermos a evolução do planeta vermelho e o que o transformou no deserto gelado que conhecemos hoje.
Essa nova evidência abre portas para diversas teorias e aprofunda o conhecimento sobre a possibilidade de vida fora da Terra. Para entendermos o que essa descoberta significa para o futuro da exploração espacial, é preciso conhecer mais sobre como essa evidência foi encontrada e o que pode vir a seguir. “A hipótese da praia explica melhor as formações descobertas”, disse o geólogo Benjamin Cardenas, da Universidade Estadual da Pensilvânia.
As teorias e indícios de água e vida em Marte
As evidências de água em Marte, sugerem que o planeta vermelho já foi muito diferente do que é hoje. A existência de um antigo oceano indica que o planeta possuía uma atmosfera mais densa e um clima mais quente, condições favoráveis para a proliferação da vida em Marte.
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Descobertas foram possíveis devido ao uso do rover – Foto: Canva/Divulgação/ND
A descoberta levanta questões fascinantes sobre o passado de Marte e o que levou à sua transformação em um planeta árido e inóspito. Será que a perda da atmosfera e a evaporação do oceano, ou outros fatores como atividade vulcânica e impacto de asteroides, explicam essa mudança?
A semelhança das formações arenosas encontradas em Marte com as praias da Terra sugere que o planeta vermelho já teve uma dinâmica costeira similar ao nosso planeta. Segundo os cientistas, o oceano em cuja costa as praias marcianas podem ter sido localizadas pode ter existido cerca de 3,5 a 4 bilhões de anos atrás, quando Marte tinha uma atmosfera mais densa e um clima mais quente, propiciando o surgimento da vida em Marte.
Buscando vida em Marte nas praias pré-históricas
A descoberta das praias pré-históricas em Marte abre novas perspectivas para a exploração do planeta vermelho e a busca por vestígios de vida em Marte. As futuras missões marcianas poderão se concentrar na análise detalhada dessas formações arenosas, em busca de evidências de organismos que possam ter habitado as margens do antigo oceano.
Com o avanço da tecnologia e o desenvolvimento de novas ferramentas de exploração, a esperança de encontrar sinais de vida em Marte se torna cada vez mais real. Quem sabe, em um futuro próximo, a humanidade poderá confirmar que o planeta vermelho já foi um oásis e que a vida conseguiu prosperar em suas águas.
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Vida em Marte é um tema discutido há décadas na comunidade científica – Foto: Canva/Divulgação/ND
O cientista planetário Michael Manga, da Universidade da Califórnia, Berkeley, destaca a importância das áreas costeiras para o surgimento da vida, reforçando a relevância da descoberta. “Presumimos que a vida primitiva na Terra começou nessas áreas, perto da interface entre o ar e as águas rasas”, afirma Manga.
Somente o uso do radar de penetração no solo tornou a descoberta possível, disse Hai Liu, da Universidade de Guangzhou, na China, “A superfície de Marte mudou drasticamente nos últimos três bilhões e meio de anos”. Havia uma verdadeira “praia de férias” em Marte, disse Cardenas, aumentando a curiosidade sobre a vida em Marte.