Por que usar o smartwatch no tornozelo não é uma boa ideia


Vídeos onde influencers usam o aparelho na perna viralizaram na internet, mas indicação de fabricantes e especialistas é usar no punho, já que a tecnologia não foi testada para uso em outros locais do corpo. Na legenda: “Colocando meu Apple Watch no tornozelo enquanto eu faço exercício”
TikTok/@bodiebyana
Em tendência recente nos Estados Unidos, influencers viralizaram na internet ao usar os smartwatches na perna para fazer exercícios.
Segundo eles, usar o relógio no tornozelo é melhor para quem tem “punho pequeno” e pode ser um jeito de conseguir maior precisão na contagem de passos, devido ao “movimento mais amplo” das pernas.
O Guia de Compras conversou com Marco Uchida, professor da Faculdade de Educação Física da Unicamp e pesquisador na área de tecnologia vestível, para entender como o uso dos relógios inteligentes no tornozelo afeta o aproveitamento do usuário. Leia abaixo.
G1 TESTOU: compare os smartwatches da Samsung, Huawei e Apple
✅Clique aqui para seguir o canal do Guia de Compras do g1 no WhatsApp
Mede melhor os passos?
Um dos motivos dados pelos internautas para usar o relógio no tornozelo é que o movimento da perna é mais amplo, portanto, seria mais fácil da tecnologia entender quando um passo foi dado.
Mas a realidade é que o aparelho foi pensado para ser usado no punho. As pesquisas e testes de desenvolvimento da tecnologia não foram feitos para o uso na perna e isso pode até atrapalhar os outros tipos de medições feitos pelo relógio.
Além disso, também fica difícil acompanhar os dados informados pelo dispositivo em tempo real se ele estiver posicionado no tornozelo.
“A pesquisa é feita com centenas de milhares de pessoas, mas usando no punho, onde ele é pensado para usar. Tem uma gama de recursos e de testes para verificar se ele está com uma certa precisão. Mas, quando você coloca no tornozelo, ele não foi feito pra estar lá”, afirma o pesquisador Marco Uchida.
“O relógio passou por uma programação para entender os picos de movimento quando você começa a andar. Ele já entende se você está caminhando por mais de dez minutos e começa a contar os passos. Ele entende até quando você está pedalando sem ser informado”, explica Uchida.
Procurada pelo g1, a fabricante de smartwatches Samsung disse que “a orientação é usar no punho, como diz o manual”. Em seu site, a Apple informa que o relógio deve ser sempre usado no pulso. “Para melhorar o contato da pele com os sensores, use o Apple Watch acima do osso do pulso (em direção ao cotovelo, não à mão)”, informa a marca.
Segundo o professor Uchida, existe uma margem de erro aceitável quando o relógio é usado no punho.
“Quando a gente fala em número de passos, existe uma margem do que se fala que é bom para saúde. O importante é que o aparelho monitore sua melhora. Perder 100 ou 200 passos no dia não é um problema. Você só fica devendo quando deixa de fazer 1.000 passos, por exemplo”, diz Uchida.
8 smartwatches para todo tipo de atividade física
E os outros medidores?
Por que usar o relógio inteligente no tornozelo não é uma boa ideia
Freepik
Além do contador de passos, os smartwatches têm muitas outras funções: medir a oxigenação do sangue, verificar a frequência cardíaca, contar a distância percorrida e até medir a velocidade da caminhada.
No tornozelo, obstáculos como meias ou uma concentração de pelos na região podem atrapalhar essas medições.
“Se a pessoa tem muitos pelos, poderia interferir na medida da oximetria e da frequência cardíaca. O relógio emite uma luz e, na refração, ele consegue detectar esses valores no sangue”, conta Uchida.
E a utilidade, como fica?
Além das medições em si, o relógio foi feito para ser visualizado e monitorado enquanto a pessoa faz o exercício. Colocar o equipamento no tornozelo dificulta bastante esse propósito.
“O relógio tem dados valiosos para guiar o usuário na prática de esportes. Mas o desenvolvedor fez tudo baseado no local original, que é o punho. São muitos dados, então qual é a vantagem de colocar no tornozelo se você não tem como monitorar? Se não tem como ver os alertas de saúde?”, questiona Uchida.
“É como se tivesse um equipamento que você só pudesse ver antes e depois da prática. Mas o importante é o durante. Imagine uma pessoa que precisa monitorar a frequência cardíaca para evitar alguma crise de saúde? Não consegue ver na hora”, conclui o pesquisador.
Outro problema prático de usar o smartwatch no tornozelo é perder acesso às demais funcionalidades do relógio, como notificações, controlar músicas e chamadas, responder mensagens e até mesmo chamar carros por aplicativo.
É algo rápido para fazer no punho, mas inviável no tornozelo.
Abaixo, veja algumas opções de relógios inteligentes desde R$ 500 a R$ 5.000. Os preços foram consultados no final de fevereiro, nas principais lojas on-line.
Honor Choice Watch
Apple Watch SE 2
Garmin Forerunner 945
Samsung Galaxy Watch 6
Huawei Watch GT 5
Polar Ignite 2
Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável. 
Como escolher um smartwatch
Adicionar aos favoritos o Link permanente.